Perde-se a batalha, mas não a guerra

Joana está com 35 anos, solteira e mãe de uma adolescente de 16 anos.

Joana viveu cerca de quinze anos com uma pessoa que nunca à valorizou, pelo contrário, à desprezava com palavras, com atitudes sarcásticas e medíocres.

Mas, em consideração à sua filha, ela suportou, segurou a barra de seu casamento que a muito tempo já não estava bem.

Separar-se de seu companheiro trouxe à ela muitos desafios. Passou a se sentir despreparada, visto ter de arcar com tudo, à começar pelo emprego.

Uma avalanche de pensamentos negativos se passavam por sua cabeça. Estou velha, gorda, e minhas roupas pararam no tempo. Sequer sei qual foi a última vez que pensei em mim.

Joana estava num verdadeiro dilema. Ou ela afundava de vez em seus sentimentos negativos, ou à partir daquele momento ela nasceria de novo.

Ainda um pouco confusa, Joana deu o primeiro passo para respirar novos ares e abandonar velhos hábitos. Inicialmente ela foi ao cabeleireiro. Fez um novo corte de cabelo. Aproveitou para dar um novo visual às unhas das mãos e dos pés.

Pediu sugestões às esteticistas e fez uma limpeza de pele. Mudou a sua alimentação, emagreceu, seguindo uma dieta baseada na instrução de um nutricionista que à ajudou a elaborar pratos mais saudáveis.

Depois de vinte dias, quando Joana vestiu uma calça dois números abaixo do que ela usava,  ela chorou de alegria.

O próximo passo de Joana foi estabelecer na vida dela algumas metas, e ir em busca delas. Ela prestou vestibular seis meses depois e foi recompensada, conseguiu ser aprovada.

Enquanto Joana estava desempregada ela aprendeu à desempenhar algumas funções, como ser uma companheira de pessoas idosas, e ainda cuidar de algumas crianças, oferecendo seus serviços à casais que trabalhavam fora.

Com isso Joana conseguia pagar as suas despesas enquanto emprego melhor não aparecia para ela.

Joana conheceu novas pessoas, passou a se interessar por moda, ciência, literatura e conhecimentos gerais.

Em um ano Joana conseguia falar sobre diversos assuntos com diferentes pessoas.

Isso engrandeceu a auto estima de Joana. Ela começou a irradiar um brilho no olhar, até a sua aparência física se tornou bela, sensual e alegre.

Joana não havia conhecido o seu outro lado. Como havia vivido apenas à sombra de seu companheiro, tudo o que ela achava que era, se baseava no ponto de vista dele.

Ela se via apenas como uma mãe, dona de casa, responsável pela família, e com isso ela foi se esquecendo de si mesma.

Apenas se preocupava com a aprovação de seu companheiro, enquanto renegava a sua própria vida.

Mas felizmente, devido as dificuldades que Joana enfrentou em seu relacionamento, ela precisou tomar uma ação radical, salvar a sua própria vida, e não é nenhum exagero dizer isso, pois caso continuasse forçando aquele relacionamento, ela estaria morta por dentro, vivendo a vida simplesmente por viver, sem nenhuma emoção, sem nenhuma alegria, seria apenas uma zumbi perambulando pelas ruas.

Naquele instante Joana percebeu que as pétalas da rosa caíram, restando apenas os espinhos, e acariciar espinhos, cuidar de espinhos, beijar espinhos, seria apenas o resultado daquele relacionamento infeliz.

No início, para ela, os obstáculos eram imensos, pareciam até intransponíveis, mas conforme foi vivendo um dia de cada vez, aqueles obstáculos deixaram de ser intimidadores e passaram a ser superados.

Com tantas mudanças ocorrendo, Joana despertou a atenção do ex companheiro que tentou se reaproximar dela, mas desta vez ela deu um basta.

Irritado, passou a intimidá-la novamente, mas Joana não teve medo, ela agiu com sabedoria. Deu queixa dele na delegacia da mulher, além de outras duas delegacias comuns na região.

Além disso, baixou um aplicativo em seu celular e cadastrou cerca de vinte números diferentes de pessoas de sua confiança. Caso ela se sentisse ameaçada, poderia de apenas um apertar de botão, disparar um alarme para todos, inclusive para alguns policiais, dando a sua exata localização.

Hoje, Joana está com 45 anos, formada, trabalhando com consultoria de empresas. Sua filha vai se casar e ela está de apartamento novo. Viaja uma vez por ano e se sente muito bem, detalhe, não se casou, apenas curti a vida.

Será que Joana contou com a sorte? Não, ela simplesmente deu tempo ao tempo, e aos poucos fez o que era certo, se preocupar mais com ela mesma.

Joana é apenas um exemplo de mulheres bem sucedidas, que jamais fecharam os olhos à realidade. Pelo contrário, enfrentaram os desafios sem se sentirem envergonhadas ou fracassadas.

Joana percebeu que ela não era tudo aquilo que seu companheiro dizia que ela era. E ela acordou a tempo.

Parabéns Joana, você percebeu que sempre é possível recomeçar.

Tissiano

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