Pro seu dia ficar melhor

Existem fatores invisíveis que podem levar empresas à falência

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Eu já fui uma grande empresa. Uma empresa de verdade.

Os colaboradores que aqui trabalhavam possuíam muita admiração por mim.

Éramos referência em toda a região.

Todos tinham orgulho de mim.

Os colaboradores sentavam-se aqui para tomar café todos os dias antes de começarem o trabalho.

Para mim eles eram muito especiais.

Éramos uma equipe maravilhosa, cheia de vontade e disposição.

Cada um importava-se de verdade com o bem estar do outro.

Entrosamento não faltava.

Me lembro que quando algo não estava rendendo ou trazendo resultados satisfatórios, imediatamente buscávamos soluções apropriadas para suprirmos àquelas dificuldades.

Cada colaborador era levado em consideração pelos demais, e de ideias simples trazidas por  outros da empresa que nem pertenciam ao setor em dificuldades, vinham as soluções mais criativas que podiam existir, porque todos tinham uma visão geral da empresa.

Não me lembro de uma única vez em que um colaborador virou as costas para outro em dificuldades, mesmo que aquilo não fosse problema dele.

Uma vez a cada três meses todos traziam os seus familiares para passarem um dia na Associação Recreativa da empresa. Desenvolviam várias atividades para que todos participassem, sempre com o objetivo de haver interação entre as famílias que ali estavam, independente da idade ou de alguma necessidade em especial. O local sempre era preparado para receber desde crianças de colo até pessoas idosas e deficientes. Todos se conheciam.

A empresa dava à todos os familiares dos colaboradores a oportunidade de buscarem qualificação profissional dentro de escolas e programas de integração social.

Centenas de cursos eram oferecidos à fim de qualificá-los para o mercado de trabalho.

Tudo ia muito bem e todos eram muito gratos por fazerem parte de mim.

O tempo foi passando até que num determinado dia contratamos em nosso meio uma pessoa que prometia um sistema revolucionário para toda a nossa empresa. Segundo essa pessoa, tudo mudaria para melhor, e que nem tudo aquilo que existia entre nós poderia estar refletindo a realidade da empresa.

Essa pessoa se dizia muito moderna, com uma visão muito além daquela existente até então.

Ele trazia consigo muitas ideias revolucionárias, dizendo que a empresa havia ficado estagnada no tempo.

Primeiro ele lançou a dúvida sobre nós quando disse que a atual condição da empresa não refletia a realidade de toda aquela união existente entre nós.

Segundo, argumentou que tudo o que era produzido na empresa poderia ficar muito melhor do que até então produzíamos.

Terceiro, mostrou que metas maiores seriam cada vez mais alcançadas, com o mesmo número de colaboradores e enxugando setores. Bastava ter tudo sob controle, inclusive o tempo de produção de cada colaborador, o que cada um estava rendendo e onde poderia melhorar.

Quarto, instalou-se em cada máquina e departamento um software que rastreava invisivelmente tudo o que cada colaborador estava fazendo durante as horas de trabalho.

Quinto, contratou-se um médico para validar qualquer atestado que fosse apresentado. Se o médico da empresa não abonasse o atestado, o atestado seria descartado e o colaborador teria o dia descontado.

Sexto, foi proibido a meritocracia dentro da empresa. Os padrões de análise foram alterados e houve um nivelamento entre todos. Qualquer colaborador, não importa a sua bagagem e conhecimento, assim como os demais, tornaram-se apenas um número.

Benefícios foram alterados e encarecidos.

Funcionário que produzia mais ganhava mais. Funcionário que produzia menos rapidamente era substituído.

Nos primeiros anos a empresa cresceu muito. Começou a bater metas cada vez mais maiores.

Até que um dia comecei a notar um verdadeiro desânimo entre nós.

Não havia mais sorrisos, espírito de equipe.

Estranho, como assim?

A empresa cresceu e parece que todos não estavam felizes com isso.

Ninguém trabalhava mais com aquele ímpeto, disposição e alegria.

Notei que entre nós perdeu-se a confiança.

Cada colaborador passou a encarar o outro como uma ameaça.

Entregar o colega de trabalho passou a ser visto como um prêmio com direito a troféu.

A confraternização na Associação Recreativa continuou por um tempo, mas a cada encontro o local ficava cada vez mais vazio, até que com o tempo o mato tomou conta. As estruturas se encheram de trincas e nunca mais foram reformadas.

Não tínhamos tempo para nada.

Estávamos num ritmo frenético.

Éramos altamente produtivos.

Atingimos o ápice quando tudo desmoronou.

Empresas menores foram se formando em volta de nós com outros ideais enquanto nos preocupávamos apenas com produtividade em números.

Estas pequenas empresas carregavam em seu DNA os nossos mesmos ideais que um dia valorizávamos.

Por pensarem diferente de nós, criaram valores em tudo o que faziam.

Tinham como altamente estimados e valorizados o que nós havíamos esquecido, os nossos colaboradores.

Estas pequenas empresas ficaram fortes porque interagiram com a sociedade, ao contrário de nós que passamos a pensar apenas no nosso crescimento.

Estas outras empresas cresceram com  o crescimento de sua sociedade onde estavam e tornaram-se fortes.

Agora elas estão sentadas na minha recepção nesse momento.

Vieram comprar-me. Vão desmontar-me e em todo o meu perímetro construirão uma linda empresa.

A mesma empresa que um dia havia surgido quando aqui fui construída.

Leandro Tissiano

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