Quem não é visto não é…executado

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escombros guerra

Não podemos esperar por um mundo melhor porque não há mais tempo. Ou agimos agora ou toda a humanidade se perderá.

Quem não é visto não é…executado

Eu posso sentir o cheiro da pólvora. Está presente em todo lugar. Nunca me esquecerei daquela garotinha.

Sua boca está fria, pálida, trêmula. A sua voz embargada e os olhos atentos aos próximos acontecimentos.

Não sabe o que fazer, não sabe o que dizer, apenas olhar por uma pequena fresta de onde se pode ver pessoas movimentando-se por sobre os escombros deixados pelo último bombardeio.

As ruas estão desertas, completamente destruídas.

Existem alguns cães perambulando pelas ruínas e algumas crianças  aparentando estar anestesiadas de todo este inferno, porque de alguma forma conseguem brincar com o que encontram entre as construções que ainda resistem.

Ela então resolve sair do seu local estreito e escuro para brincar com as outras crianças. Com o aumento do ruído que elas produzem, acaba despertando a atenção de soldados inimigos acampados na região dominada.

Entre uma brincadeira e outra ouve-se uma rajada de metralhadora sendo disparada em sua direção. Dois de seus recém amigos são atingidos na cabeça e um projétil queima de raspão a manga de sua blusa.

Imediatamente ela se abaixa e arrasta-se entre as pedras até o seu esconderijo. Aquela brincadeira quase lhe tirou a vida. Não tiveram a mesma sorte os seus dois amigos.

O tempo vai passando e o silêncio amedrontador toma conta do local. Ela consegue ter uma noção das horas porque aprendeu a observar o posicionamento da sombra que os objetos produzem com a luz do sol e desde que perdeu a referência dos dias da semana, passou a marcar os números de dias que se encontra sob estas circunstâncias.

A noite ela percebe a aproximação dos soldados, ouve ruídos estranhos e não sabe exatamente o que esses soldados fazem com as mulheres do local, mas o choro e a angústia lhe revelam coisas muito piores do que ela poderia imaginar.

Quando tudo começou ela estava na pré escola. Ela ainda se lembra de sua mãe dizendo pela última vez que voltaria para buscá-la. Nunca mais ela apareceu.

Ela consegue se desligar por alguns períodos dessa realidade devastadora que instaurou-se quando pensa em seu irmãozinho.Todas as noites eles acendiam uma fogueira e brincavam de segurar gravetos em brasas, fazendo desenhos no ar. Aquele cenário, por incrível que pareça, lembrava tanto os riscos no céu que os gravetos produziam.

Então ela debruçava-se sobre aquelas pedras e quando tudo estava no silêncio absoluto ela furtivamente ia para um local mais alto para observar as estrelas. Ela nunca havia visto tantas estrelas e tão brilhantes.

Ao olhar para o horizonte ela percebia o que parecia ser um mar pegando fogo enquanto uma névoa branca elevava-se no ar.

E lá do alto ela pensava em sua família, em seu pai, em sua mãe e se eles ainda poderiam estar vivos.

Continua…

Leandro Tissiano

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