Pro seu dia ficar melhor

Excesso de confiança nas improvisações pode nos derrubar

DESASTRADO

Pro seu dia ficar melhor – Excesso de confiança nas improvisações pode nos derrubar

De vez em quando improvisar pode revelar a nossa criatividade diante de certas circunstâncias, mas quando fazemos da improvisação uma rotina em nossas vidas, perdemos a confiança das pessoas.

Se um construtor improvisasse um cano na frente de sua janela para consertar um vazamento em sua casa, você pagaria pelo serviço dele ou o recomendaria para outra pessoa?  A resposta sem dúvida é não.

Nós também gostamos de improvisar algumas vezes. Um dos vários exemplos de improvisação é quando usamos uma determinada ferramenta que foi confeccionada para uma outra finalidade.

Eu já apertei parafuso com uma faca velha, sem ponta. Em outras vezes martelei um prego usando um pedaço de madeira. Quando não temos a ferramenta certa improvisamos. Mas a improvisação precisa ser feita com sabedoria.

Seria insano de minha parte eu tentar serrar uma tábua com um martelo, ou tentar pregar um prego batendo com um canivete sobre ele ou apertar um parafuso usando um pincel.

As ferramentas são úteis quando são utilizadas para um propósito pelo qual elas foram criadas.

Eu posso improvisar o aperto de um parafuso com um formão para resolver o meu problema temporariamente, mas com isso gerarei outro problema.  Quando eu precisar esculpir uma madeira o formão não estará com o corte afiado e a madeira ficará lascada, com um péssimo acabamento.

Mesmo quando uma ferramenta sofre evoluções, estas evoluções nunca mudam a finalidade principal pelo qual ela foi criada. São evoluções que visam buscar a sua perfeição, por exemplo, no caso do martelo que recebeu um acabamento em borracha para não escorregar das mãos, que recebeu uma pintura anti ferrugem, ou que mudou a cabeça para ficar mais precisa as marteladas.

Alem disso a ferramenta é útil quando está nas mãos de um bom profissional qualificado. Talvez eu possua um bom conhecimento sobre determinada habilidade, mas na prática eu não consiga praticar este conhecimento com a mesma habilidade. Além de identificar qual ferramenta eu sou eu preciso ter habilidade no que eu faço.

Cada pessoa possui uma habilidade. Existem pessoas que fazem cálculos matemáticos com muita facilidade. Outras são excelentes artistas. Há outras que são excelentes médicos, fotógrafos, jornalistas, engenheiros, vendedores, cabeleireiros, maquiadores,  cada um no seu quadrado. Estes profissionais as vezes improvisam mas fazem isso com sabedoria. Até a improvisação deles é calculada.

Eu preciso estar seguro de minha habilidade, acreditar no valor que a minha habilidade tem perante a sociedade. Eu não posso me comparar com outra ferramenta. Eu preciso saber qual ferramenta eu sou e o que eu faço de melhor.

Talvez isso explique a razão de um engenheiro elétrico optar por trabalhar com mecânica, ou um mecânico trabalhar de cabeleireiro. Isso pode acontecer? Claro que sim, pois estes profissionais perceberam que as suas atividades não lhes traziam satisfação, usaram as suas habilidades naturais em outras funções e deram certo.

Nenhuma função deve ser menosprezada assim como cada ferramenta possui a sua utilidade, basta que você descubra o seu papel, o seu bom desempenho e o valor que a sua habilidade representa.

Nenhuma ferramenta é mais honrosa que a outra, pois um martelo pode ser uma ótima ferramenta nas mãos de um marceneiro habilidoso enquanto pode se tornar uma ferramenta perigosa nas mãos de um cirurgião desastrado.

Não posso menosprezar uma habilidade natural que eu tenha ou me enganar por vangloriar-me de uma habilidade que eu não possua. Preciso saber que ferramenta eu sou dentro da sociedade. Certamente eu tenho um propósito dentro dela.

Alguns levam a vida na base do improviso, sem nenhum objetivo. É semelhante a pessoa que aperta o parafuso com o formão, conforme mencionado acima. O corte se perde e pode entortar a ferramenta. Se apertar o parafuso com o formão resolveu temporariamente o meu problema, o correto seria eu aprender com esta experiência, ter a mão uma chave de fenda para estar melhor preparado em outras circunstâncias semelhantes. O conhecimento e as nossas habilidades na vida desempenham papéis diferentes conforme as circunstâncias. Em alguns momentos somos a própria ferramenta, em outros precisamos ser a pessoa que precisa possuir a habilidade necessária no manuseio da ferramenta.

No âmbito profissional, as vezes a pessoa precisa se adaptar a algum imprevisto temporariamente por exercer uma determinada função diferente da que ela tinha no mercado de trabalho para se manter ativa. Não há nada de mau nisso. Mas quando eu sempre improviso, quando improvisar se torna uma rotina e eu fico pulando de galho em galho dentro de funções diferentes no mercado de trabalho, eu perderei a confiança de futuros empregadores pois eles julgarão que eu posso pular para outro galho a qualquer momento caso seja contratado por eles.

Se eu preciso correr alguns riscos, é melhor me arriscar dentro das habilidades que eu já possuo. Se eu me arriscar em algo que eu não possuo habilidade suficiente eu posso me arriscar demais e isso causar a minha falência.

Fingir conhecimento ou habilidade é o mesmo que servir uma visita com uma linda faca prateada, mas com a ponta amassada. O convidado vai se sentir enojado e ridicularizado. Ele ficará se perguntando se eu andei improvisando com a faca, imaginando coisas terríveis que eu fiz com a faca. Este convidado pode ser o meu empregador que pensará que eu demonstro um conhecimento profundo mas se perguntará porque eu não permaneço em nenhuma empresa?

Forçar uma habilidade que eu não possuo pode até gerar alguns resultados, mas chegará um momento em que eu não conseguirei mais progredir. Ou eu me aperfeiçoo ou ficarei estagnado.

Toda improvisação é válida quando temos um certo controle sobre ela. O importante é acreditarmos nas nossas habilidades, fazermos a diferença, sejamos um martelo, um serrote, uma chave de fenda, um alicate, uma tesoura ou qualquer outra ferramenta, pois toda ferramenta é útil, basta que saibamos qual ferramenta nós somos dentro da caixa de ferramentas que é a sociedade em que vivemos.

Leandro Tissiano

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