Filosofando, Pro seu dia ficar melhor

A filosofia me faz chorar, a poesia me faz viver

 montanha

A minha carne está crua, fresca, exposta e sangrando

A filosofia diz que eu preciso extrair de meu ser, os meus pensamentos e as minhas reflexões mais profundas, fazendo com que eu perceba o quão crua, fresca e exposta está a minha carne, e o quanto ela está sangrando, pronta para ser consumida por um predador, que pode ser o medo, a dúvida ou velhos tabus.

A parte mais difícil da filosofia é a verdade que ela traz, porque tais pensamentos e declarações mostram a minha fragilidade, o quanto estou exposto ou a mercê de algo que não importa o que eu possa fazer, planejar ou estabelecer, nada muda o fato de que eu sou apenas um ser vivo, que eu faço parte de um ciclo, que é nascer, crescer, envelhecer e morrer.

A filosofia é um tapa no meu rosto, para que eu acorde. É claro que ouvir estas verdades pode fazer com que eu desperte para a vida e descubra onde eu me encontro. Mas também é verdade que estas verdades possam ter o seu lado ruim, o seu lado sombrio, pois podem me fazer pensar que a vida nua e crua que eu tenho, ou a vida que eu levo, não vai dar em nada, pois o final dela é o mesmo que o final de todo ser vivo, a morte.

E agora? O que eu faço? Vou empurrando com a barriga? Tento não me aprofundar em mais nada porque tudo é semelhante a um esforço idiota de tentar segurar o vento com as próprias mãos?

Quando eu nasci, embora imperfeito, é como se eu estivesse branco, puro e inocente. Brilhante, sem nenhuma outra cor.

Quando o ciclo “crescer” vai se desdobrando, estão surgindo em meu ser, outras cores, as cores primárias, mas com tonalidades claras, ficando cada vez mais acentuadas e bem definidas, e destas cores há o surgimento de todas as outras cores.

Ao mesmo tempo, embora tão jovem, já iniciei o meu processo de envelhecimento, e quando este envelhecimento vai atingindo o seu ápice, todas as cores se misturam entre elas, terminando com a absorção de todas as cores e no surgimento da cor preta, a cor do luto, pelo menos na cultura ocidental.

Quando eu encaro esta verdade, pode não ser fácil assimilar ou digerir esta verdade, embora seja útil para o meu amadurecer.

Mas, o que eu faço para conseguir conviver com a realidade da vida? Eu posso escolher viver plenamente e intensamente? Estou certo que sim.

Por exemplo, se estou num ciclo onde todas as cores estão plenamente desenvolvidas, e sei que logo passarão a iniciar o seu processo de fusão entre elas, o que me resta?

É esse o meu medo? Eu não desejo morrer, por mais natural que a morte seja dentro do ciclo de minha vida, embora eu reconheça que para outras pessoas a morte possa ser o alívio para as suas dores físicas.

Eu posso até visualizar o quão triste é uma criança com câncer. Ela não viveu todo o ciclo de sua vida. Não experimentou todas as cores, não terá nem mesmo a chance de usufruir cada momento de seu crescimento. Deixará de existir precocemente.

Então eu percebo uma outra verdade, a de que neste instante, a filosofia não me dá todas as respostas para justificar esta súbita interrupção, e nem o porquê desta criança ser vítima de uma doença terrível.

Portanto, eu, embora saiba da verdade nua e crua que a vida possa ser mediante a luz da filosofia, ainda assim eu escolho ser confortado pelo pensamento positivo, pelas palavras amorosas e sentimentais da poesia, mesmo que sejam palavras tristes, pois sei que na poesia há emoção, há dor e alegria. Há uma manifestação de sentimentos, enquanto que na filosofia não se saboreia as palavras, elas são apenas digeridas com o único propósito de manter a pessoa viva.

É como se eu estivesse em um restaurante e o garçom viesse me trazer o cardápio com apenas duas opções. Uma opção mostra um delicioso prato com saborosos acompanhamentos. A outra opção mostra uma injeção contendo um líquido com todas as vitaminas, proteínas e sais minerais do delicioso prato da primeira opção, mas para ser injetado direto na veia. O resultado final das duas opções é o mesmo, repor as energias do corpo.

Com qual opção eu deveria ficar? Eu escolho a primeira opção.

Eu escolho o pensamento positivo, o pensamento que é motivado por palavras calorosas, que deixam a minha alma saborear os dias, meses e anos de uma maneira mais agradável e estimulante.

Eu optei por isso, não por medo, ou porque eu quero esconder a verdade. Não, quero apenas saborear a minha vida, cada ciclo de minha vida, para que estes ciclos sejam mais prazerosos, apenas isso.

Sei que sigo para o inevitável, que é um dia deixar de existir. Mas, nem por isso, nem mesmo nesta mais absoluta verdade, posso deixar de lado a minha oportunidade de escolher e ser feliz.

Eu não posso viver “sem sal e sem açucar”. Eu preciso sentir e viver intensamente, todas as cores e sabores, sensações e prazeres que cada ciclo me proporciona.

Eu não sei qual será o resultado final do jogo, mas estou certo de que se eu soubesse o final dele, eu não iria torcer, não iria comemorar cada ataque, cada gol, porque se eu soubesse que o meu time perderia de virada, nem no estádio eu iria. Perderia o meu tempo.

Por isso, por mais crua e exposta que seja a minha vida através da filosofia, eu escolho deixar o jogo rolar, porque o mais importante é a emoção dentro de campo. As possibilidades de todos os jogos serão as mesmas segundo a filosofia, de ganhar, perder ou empatar. Mas as emoções serão diferentes em cada jogo, e viver estas emoções é que dá sabor em cada ciclo de minha vida. Por isso eu escolho o pensamento positivo, a poesia e a arte.

Não importa o ciclo pelo qual eu estou passando, como eu disse, sei que preciso viver intensamente focado em momentos positivos e agradáveis, mesmo que a vida insista em me fazer engolir a verdade, querendo me transformar em um aparelho eletrônico com um manual de instruções, aguardando o dia em que as minhas baterias deixarão de funcionar e eu pare por completo.

Me perdoe, mas eu sou muito mais que um ser esperando a minha morte chegar. Quando penso que tenho em mãos um manual com todas as respostas para cada momento que vivo, e o porque de cada reação que tenho, a minha vida fica muito chata.

Eu escolho saborear a minha vida e viver cada emoção contida nela, sejam momentos tristes ou alegres.

Leandro Tissiano

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