Qual o seu público-alvo?

publico-alvo

Maurício notou que em frente ao seu comércio algumas pessoas estavam tropeçando. Assim que saiu para fora observou que existiam pequenos buracos na calçada.

Ficou ali parado analisando de perto todas as pessoas que passavam e descobriu um determinado público mais propenso a tropeçar. Este público se compunha de mulheres que estavam usando calçados de salto fino.

Mais aliviado com essa sua descoberta, visto que aquele público não costumava entrar em seu comércio, deixou o assunto de lado, até porque a Prefeitura havia causado aquele problema na última reforma do meio-fio. Por isso não se importou mais.

Ricardo, um outro comerciante, tinha uma loja vizinha ao comércio de Maurício, e ele estava incomodado com aquela situação, embora o problema não fosse em frente a sua loja e estivesse tudo certo com a sua calçada.

Mesmo assim, depois de alguns dias sem solução para aquele problema, Ricardo tomou a boa iniciativa em comprar um compensado para cobrir aqueles pequenos buracos na calçada de Maurício.

Assim que Ricardo chegou com o compensado e começou a deitar a madeira no chão, Maurício correu para fora esbravejando:

“Ei! O que você está fazendo?”

Ricardo então responde:

“Estou cobrindo a calçada porque as pessoas estão tropeçando!”

Maurício mais irado responde:

“Isso não é problema seu! Quem precisa consertar esta calçada é a Prefeitura! Por causa deles que ficou assim! Pode tirar isso daí!”

Ricardo respira fundo, controla a sua raiva, calmamente vai retirando a madeira, mas olha profundamente para o olhar de Maurício e começa a dizer:

“Você tem razão! Este problema é mesmo um problema que foi causado pela Prefeitura, mas amigo, você precisa saber de algo. Várias pessoas entraram na minha loja dizendo que estavam comprando o meu sapato porque tropeçaram neste buraco. De certa forma, no curto prazo isto seria muito bom porque querendo ou não, positivo ou negativo, estava me proporcionando uma venda maior de calçados.”

Maurício interrompe Ricardo:

“Então vejo que você é mesmo sem noção. Por que não deixa como está? As suas vendas aumentaram!”

Ricardo contra argumenta:

“Olha, eu não vou negar que pensei o mesmo que você, mas refletindo melhor sobre isso, eu descobri algo que me fez correr até aqui para cobrir estes buracos. As mesmas pessoas que compraram os meus calçados revelaram que estavam indo até o seu comércio para comprar os seus produtos caseiros, mas como você nem se preocupava com a sua calçada, o que dizer de sua preocupação em fazer o melhor para os seus clientes. E relacionaram a falta de cuidados com a sua calçada com a possível falta de cuidados com os seus produtos.”

Ricardo continua:

“O problema se estendeu até a minha loja, porque se não fosse o seu comércio, estas mesmas pessoas não teriam conhecido a minha loja. A longo prazo, quando estas pessoas olharem para a minha loja, não se lembrarão do meu bom atendimento e nem da variedade e qualidade de meus produtos. Elas apenas se lembrarão da vergonha que passaram. Se lembrarão da raiva que sentiram e do constrangimento que tiveram.

Elas não entraram na minha loja felizes por estarem comprando um novo calçado, estavam com pressa. Queriam apenas resolver aquele problema inesperado e darem o fora o mais rápido possível.. Simplesmente queriam suprir uma necessidade passageira. Não criaram nenhum vínculo com a minha loja. É bem provável que nunca mais voltarão.

Além do mais, elas nem sequer tiveram a chance de provar os seus doces. No fim, nós dois é que saímos perdendo.”

Maurício envergonhado pede desculpas e ajuda Ricardo a por a madeira no lugar. Maurício descobre que pensar em público-alvo é mais complexo do que ele pensava.

Pensar em público-alvo envolve milhares de vertentes e variantes, e quando não entendemos plenamente todas elas, é melhor não arriscarmos em nossos julgamentos.

Leandro Tissiano

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