O que fazer quando se cometem injustiças contra nós?

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Um homem muito poderoso, líder de um grande exército e cercado por milhares de serviçais foi capturado por seu inimigo.

Em uma pequena cela com apenas uma entrada de luz que vinha da parte superior, lembrava-se de seus anteriores dias de glória. Ele ficava meditando em cada passo que havia dado, nas pessoas que havia conhecido, nas palavras que havia falado. Tentava encontrar uma razão que justificasse a maneira tola pelo qual havia sido capturado.

Passado algum tempo este homem poderoso começou a refletir sobre as suas habilidades até chegar na análise sobre as pessoas que talvez possa ter magoado com as suas palavras duras. Avaliou as suas teses, os seus princípios e até mesmo a sua fé. Descobriu que nada daquilo era importante ou o suficiente para tirá-lo da prisão. Estava a milhares de quilômetros de sua casa. Os meses vieram e nada de resgate. As esperanças foram se acabando.

Passou a não comer e nem mesmo a beber água. Queria apenas que a sua morte chegasse logo, pois viver naquelas condições era o mesmo que estar morto.

Em uma de suas caminhadas pelo pátio da cadeia, notou que estava fraco, não conseguia dar um passo. Estava entre a vida e a morte, tudo o que queria naqueles dias, morrer.

Sentindo a proximidade de sua morte, ficou com medo. Será que havia feito a melhor escolha? A dúvida era a última coisa que ele queria ter, visto que se fechasse os olhos seria o fim de tudo.

Um outro prisioneiro, idoso, vendo aquele homem no chão, desfalecendo, correu em sua direção. Por usar muletas, se locomovia com dificuldades, mas nada o impediu de atravessar o pátio para prestar socorro àquele homem.

Este idoso cuidou dele, é claro, dentro das condições que possuía, que eram mínimas, mas foi o suficiente para ajudá-lo a se recuperar aos poucos.

Os dois se tornaram bons amigos. O homem inconformado com o seu encarceramento falou toda a sua história para o senhor idoso, sobre as injustiças que sofreu, sobre as dificuldades que passou e sobre a perda de sua fé e esperança. Foram horas e horas falando sobre o tema. Desabafou cada detalhe de sua vida enquanto o senhor idoso ouvia sempre com muita atenção.

Em um determinado momento aquele homem pensou pela primeira vez em perguntar sobre o que o senhor idoso havia feito para estar preso naquele local.

Ele explicou que havia sido condenado à prisão perpétua injustamente assim que completou dezoito anos de idade. Contando a sua história, ele revelou ao homem que estava no local errado e na hora errada, quando um criminoso disparou a sua metralhadora sobre um acampamento de crianças. Durante a fuga aquele criminoso passou por ele. Os dois saíram em luta corporal. Antes ele tivesse morrido, o que teoricamente teria sido melhor do que pegar prisão perpétua, pois o criminoso o dominou com um golpe que fez com que ele desmaiasse. O criminoso então o vestiu com o moletom preto que usava, trocando de roupa com ele. Pegou a pistola automática e colocou na mão direita dele e a levou próxima de seu rosto, do lado direito da cabeça, atrás do ouvido e a disparou a queima roupa. Ao lado de seu corpo foi deixada a metralhadora que havia sido usado contra as crianças e a pistola automática em sua mão. Deixando o local às pressas nunca mais aquele criminoso foi visto.

Momentos depois a polícia o encontra ainda com vida dentro da floresta. Devido ao clamor dos pais e das notícias que rapidamente se espalhavam sobre aquela tragédia a polícia não teve dúvida, o criminoso havia tentado se matar. As autoridades precisavam levá-lo com urgência até o hospital e os médicos usariam todas as forças necessárias para mantê-lo vivo pois precisavam saber o porquê daquele crime hediondo, e não seria justo ele não sofrer por um longo período dentro da cadeia pelo crime que havia cometido.

Meses se passaram até que ele finalmente saiu do coma induzido. Não havia dúvida de que a sua sobrevivência era um milagre, mas as sequelas ficariam marcadas na falta de mobilidade de suas pernas, obrigando-o a viver com o uso de muletas pelo resto de sua vida.

Neste momento o homem o interrompe, “Mas espera um pouco, quantos anos o senhor tem?”, e o senhor responde, “Setenta e cinco anos”, “O senhor está preso por mais de cinquenta anos por um crime que não cometeu? Não é possível, nenhum advogado, promotor ou Juiz reavaliou o seu caso?”, e o idoso responde, “Nunca reavaliaram o meu caso, nunca ouviram o que eu tinha a dizer, nunca eu tive um tratamento especial ou diferenciado dentro desta prisão, a não ser a troca destas muletas a cada cinco anos.”

O homem com lágrimas nos olhos, diz ao idoso, “O senhor nunca se revoltou contra esta injustiça que cometeram contra o senhor? Nunca pensou em desistir de tudo?”, e o idoso responde, “Sim, eu até pensei em me matar algumas vezes, mas o que me mantinha vivo era saber que eu era inocente e não um criminoso, que eu não era aquele que todos pensavam que eu era, que eu possuía e ainda possuo, índole e caráter. Eu lutei por minha vida quando vi aquele criminoso vindo em minha direção para me matar, e de certa forma sobrevivi. Sei que não é a melhor vida que eu poderia ter nem a melhor condição física que eu desejava, mas me manter focado em minha inocência foi a força necessária para sobreviver a todos estes anos neste lugar. Fiz alguns amigos que já morreram, outros que desistiram de viver, e estou tendo a felicidade de contar a minha história para você que se interessou em saber. São estas coisas que me fazem continuar acreditando que vale a pena viver.”

Depois daquele dia, aquele homem inocente voltou a ter esperanças e anos mais tarde estava fazendo o mesmo, ajudando pessoas que estavam pensando em desistir de tudo. Sentava-se ao lado de outros prisioneiros e contava sobre o idoso que havia conhecido naquela prisão.

Leandro Tissiano

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