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O que fazer quando os ideais de uma empresa mudam de foco?

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Imagine você se juntar com alguns amigos mais próximos e criarem uma empresa de Tecnologia com código aberto, onde outras pessoas, do mundo inteiro, possam ajudar na melhoria e no aperfeiçoamento de seu produto.

Rapidamente a empresa começa a ganhar destaque atraindo admiradores e investidores. A sua Startup está dando certo.  Você, como CEO, começa a dar palestras e participar de vários eventos tecnológicos onde jovens querem fazer parte desta sua revolução.

Mas como toda empresa que começa pequena e ganha grandes proporções, as coisas começam a mudar, mais do que você possa controlar, principalmente no quesito, que decisões preciso tomar daqui para frente?

Empresas maiores, do mesmo ramo, ficam de olho em você. As pessoas estão ansiosas para comprarem o seu produto. A mídia está querendo você para ser entrevistado. A sua imagem está ganhando notoriedade nas capas de revistas e em outros veículos de comunicação. Anos antes ninguém sabia que você e seus amigos sequer existiam.

No meio do caminho você começa a mudar de comportamento. As suas ideias, antes ideológicas e liberais, se transformam em negócios, e a sua visão de compartilhar conhecimento, se transforma em uma visão de empreendedorismo, você passa a pensar como empresário.

Os seus amigos continuam pensando em compartilhar informações, criarem uma comunidade internacional que possa mudar o mundo, mas, você não quer mais isso, porque agora a empresa cresceu e precisa se proteger.

Com isso, você fecha o seu código aberto. As pessoas que participaram diretamente e indiretamente de se seu produto, se revoltam, estão magoadas com a sua atitude radical, porque ajudaram no desenvolvimento e no aperfeiçoamento de sua Startup.

Você, como Diretor da Empresa começa a sentir a pressão e o zum-zum-zum (comentários discordantes) pelos corredores, inclusive da parte de seus cofundadores e amigos próximos.

Energicamente você não tem dúvida, precisa tomar uma atitude, e como você está com a maior parte acionista nas mãos, você começa a demitir todos os que pensam diferente de você. A empresa então, começa a perder a sua identidade inicial, os seus pilares e princípios, os seus ideais.

Gente nova começa a chegar, gente que pensa como você. Você coloca regras e processos de trabalho em todos os setores da empresa. Coisas que se resolviam em dois dias, começam a serem resolvidas em seis meses, além de você criar uma hierarquia dificultando o acesso até você.

Você se retrai, se fecha, não diz mais nada para os seus colaboradores, nem mesmo o que você pretende fazer, quais serão os seus próximos passos e começa a tomar as decisões mais importantes da empresa, sozinho. No seu subconsciente você é o dono de tudo, então a sua palavra é a mais certa.

Suas palestras continuam, a empresa vai ganhando cada vez mais visibilidade. Os consumidores querem o seu produto. Então você pensa, estou no caminho certo!

Alguns meses se passam, dois anos antes, você estava em um pequeno espaço, desorganizado, e agora você está ocupando todo o andar de um prédio comercial em um bairro importante.

Uma grande empresa, uma das maiores no mundo, do mesmo segmento, quer o seu produto e a sua empresa, e de brinde, querem que você continue como Diretor, mas agora, Diretor na empresa dela. Você prontamente aceita, e não revela aos seus colaboradores que a empresa foi vendida.

Algum tempo depois os colaboradores são informados, apenas no dia em que a empresa passou a pertencer à outro grupo empresarial.

Um ano ou dois se passam, e você não é mais o Diretor da empresa que comprou a sua empresa. Você então desaparece, vivendo em um exílio e pouco se sabe sobre o seu paradeiro. Sua barba cresce, as suas roupas claras e alegres dão lugar a uma vestimenta mais escura, sem brilho, e os holofotes que tanto lhe iluminaram se apagam, e você parte para o isolamento.

O que será que deu errado? O que será que você está pensando? Por que resolveu se isolar? Seria o medo de ter errado em algo? Ter mudado de pensamento e ideais que antes você defendia? Seria o remorso de ter magoado muitas pessoas? Traído a confiança daqueles que estavam ao seu lado quando você não tinha nada?

Será que aqueles que compraram a sua empresa na realidade queriam apenas lhe tirar do caminho, porque você poderia ser uma ameaça no futuro? Será que você está envergonhado do que fez? O que aconteceu? Se arrependeu?

Parece um roteiro de filme, mas esta história que eu descrevi aqui neste post é verdadeira. Está no documentário, “Print the Legend” que fala de “Bre Pettis”, um dos fundadores da MakerBot que produz impressoras 3D portáteis, empresa que foi comprada pela Stratasys.

O documentário, embora não fale sobre o exílio de Bre que aconteceu mais tarde, deixa no ar exatamente estas questões que eu levantei aqui.

Você pagaria um alto preço, perdendo amigos e pessoas brilhantes próximas de você, se no meio do caminho, os negócios fizessem você agir diferente de tudo o que você pensava e dos ideais que você defendia? Venderia a empresa que você ajudou a criar e que você se sentiu no dever de protegê-la, ao ponto de  demitir até mesmo os seus amigos e cofundadores por ciúmes, e que agora esta empresa está em outras mãos, como o próprio Bre se referiu ao produto dele de “meu bebê”? Ele perdeu o seu bebê para outras mãos. Valeria a pena?

Será que estas perguntas estão se passando na cabeça de Bre Pettis enquanto ele se isola? Perguntas interessantes. Requerem muita reflexão a respeito. Talvez Bre esteja fazendo isto agora.

Leandro Tissiano

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