A Pequena Rachel – 1 Parte

olho

Uma noite para se esquecer

O seu hálito asqueroso de Whisky Royal Salute 21 anos era nojento. Cortejava a sua vítima, sussurrando frases estranhas, quase incompreensíveis, resultado de muitos goles.

Ela só tinha dezessete anos, mas ele não queria nem saber. Ela precisava do dinheiro para salvar o seu pai que aguardava por um transplante de pulmão. Estava internado em um Hospital Público. Seu tempo estava se esgotando.

Nossa, ele vomitou nela, mas não conseguia parar enquanto a apertava contra a parede. Suas lágrimas escorriam pela face enquanto sufocava o seu choro. Queria que tudo terminasse logo.

Como era estranho ver uma camisa Prada servir de guardanapo ao mesmo tempo em que revelava um peito peludo e um abdômen globoso. Era repugnante.

Aquela seria uma noite longa. Depois de passar horas em completa dependência de seu agressor, combinou receber o dinheiro, mas desconfiada, aproveitando que o mesmo havia adormecido profundamente, tirou de sua mão algo de muito valor que lhe pertencia, a sua aliança de casamento.

Era valiosa por dois motivos, o primeiro motivo é que ele tinha família e uma esposa. O segundo motivo era que aquela aliança poderia valer mais do que o dinheiro que ela havia cobrado. Uma aliança com diamantes, que possuia no centro um grande rubi.

Não foi fácil retirá-la, pois seu dedo anular era enorme, apertando e ao mesmo tempo travando qualquer tentativa de tirá-la dali. Ela foi até o banheiro, pegou um fio dental e um alfinete. Com a ajuda do alfinete ela passou o fio por debaixo da aliança, é claro, espetou o dedo dele algumas vezes, mas nem dor das espetadas o amortecido sentia. Enrolou o fio dental no dedo dele e começou a puxá-lo pela outra extremidade, retirando a aliança.

Não satisfeita, sentindo raiva e euforia ao mesmo tempo, visto que havia consumido cocaína nas preliminares, ganhou coragem para retirar um outro anel, desta vez da mão direita. Ela não sabia se era valioso, mas um cara como aquele, não usaria bijuteria. Repetiu o processo e pegou o anel.

O anel era dourado, mas a sua parte superior era negra, tendo gravado dentro da pedra o desenho de um cavaleiro empunhando uma espada com seu cavalo erguido. Certamente deveria valer alguma coisa.

Ele não iria acordar tão cedo, tempo suficiente para que ela tomasse uma ducha e trocasse de roupa, vestindo-se com uma roupa comum, aquela que ela usada na academia onde praticava zumba.

Foi até o elevador e desceu 25 andares, passando pelo Hall do Hotel sem ser notada. Já eram três da manhã. Não queria se atrasar para o trabalho, uma escola próxima de sua casa, onde ajudava crianças carentes do bairro.

Pegou um táxi, o mesmo taxista de sempre. Era ele quem dava as indicações dos melhores clientes que chegavam na cidade. E adivinhe, ninguém trabalha de graça. Ele era comissionado. Mas, como ela não estava com o dinheiro, pediu um prazo, deixando como garantia os dois anéis com o Jorge, sim, o taxista.

Leandro Tissiano

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