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A Pequena Rachel – 2 Parte

olho

A intimidação

“Rachel, pode vir até a minha sala por favor?” Estranho, o Professor e Diretor Sérgio nunca havia convidado a pequena Rachel até a sua sala.

“Há algum problema Professor Sérgio?” Desconfiando de algo. “Rachel, está acontecendo alguma coisa que você precise me contar?” Imediatamente ela recordou-se de que havia chegado atrasada, precisando ser substituída por uma outra professora no início da aula.

“Sérgio, me perdoe por ter chegado atrasada. Tive um imprevisto, mas garanto que posso repor isso.” Envergonhava-se.

“Rachel, você é uma boa garota. É compromissada com os seus pequenos alunos e toda a escola valoriza isso. O problema não é esse.”

“Então eu não sei o que pode ser Professor.” O rosto empalideceu, indo do sem cor ao rosa avermelhado. Ela é da região Sul, especificamente da cidade de Serafina Corrêa, no Rio Grande do Sul, uma descendente polonesa. Grandes olhos verdes, bochechas rosadas, cabelos castanho-claros, liso, e testa pequena. Sem dúvida, uma linda menina.

“Rachel, tem cinco pessoas paradas na porta da escola, e pela cara dos mesmos, boa coisa não é. Tem certeza de que não quer me contar o que pode estar havendo?”

“Professor Sérgio, eu não tenho ideia do que pode estar acontecendo, não sei do que está falando. Acho melhor chamarmos a Polícia.” Confiava no que pensava ser a solução para aquele problema.

“Eu não posso chamar a Polícia.” Olhando para baixo, como se estivesse impotente diante daquela situação. “Mas por quê?” Demonstrava espanto.

“Porque eles são a Polícia!” O ar de estranheza passou para um arrepio assustador, dos pés a cabeça. Rachel apavorou-se.

Da sala do Diretor até a entrada da escola, eram aproximadamente cerca de 200 metros. Nestes 200 metros Rachel foi repassando em sua cabeça tudo, desde os lugares em que esteve até as pessoas com quem havia falado, e infelizmente ela se deu conta de que apenas uma coisa a incriminava, o roubo, ou melhor, o furto, já que a pessoa estava dormindo em seu último encontro.

Pensou em mentir, pensou em dizer toda a verdade, mas ela nem sabia ao certo o que podia ser. Sofreria por antecipação? Não, era melhor estar preparada e foi o que ela fez. Conteve a sua aflição, não que estivesse calma. O seu coração estava na boca, enquanto cerrava seus lábios e as suas mãos transpiravam. Manter o equilíbrio, mesmo que aparentemente, era o melhor que ela podia fazer.

“Olá novinha!” Um olhar sacana, carregando segundas intenções, daquele que estava no comando, enquanto os outros riam do sarcasmo de seu chefe.

“O que houve?” Rachel fechava o rosto, grudando os pés no chão. Seria necessário uma escavadeira robusta, hidráulica, capaz de levantar toneladas, para poder arrancá-la junto com o concreto.

“Eu é que pergunto sua puta! Acho que você sabe do que estou falando!” Um olhar sombrio e ameaçador fora lançado na direção de Rachel, enquanto ela observava o brilho no cano prateado de sua pistola, uma Glock automática, austríaca, calibre 380. Talvez fosse uma 9 mm, mas ele não era Federal. O brilho da arma fez com que rapidamente Rachel pensasse que seria a sua última vez em que veria a luz do dia.

“Olha aqui sua piranha. É melhor você devolver o que você roubou. Nós não estamos de brincadeira. Sabemos onde você mora, assim como você percebeu que também sabemos onde você trabalha. Se contar à alguém que tivemos esta conversa não será necessário devolver o que pegou porque a terra vai te comer mais cedo. Se livrar de um corpo é muito fácil para nós. Você tem até a noite de amanhã para nos devolver.”

Enquanto fez as ameaças, segurava firme o queixo de Rachel. Deslizou suavemente os dedos gelados do topo da cabeça da pequena Rachel até os fios dourados que escorriam em seu peito, sussurrando em seguida, quase beijando a orelha, “Que pena, será um desperdício.”

Rachel havia entendido o recado. Soube do perigo que a cercava. Se os amigos que a observavam de longe, não estivessem ali e se objetos pessoais guardados em seu armário não fossem a razão para o seu retorno à escola, Rachel teria corrido para bem longe, para nunca mais ser encontrada.

Ela estava tremendo enquanto chorava copiosamente. Todos estavam assustados, ao mesmo tempo em que tentavam confortá-la. Não sabiam do que se tratava, mas tentavam ajudá-la como podiam. Rachel sabia que não havia o que fazer.

Arrasada, inconformada, enquanto perguntava à Deus o porque de tudo aquilo. O celular tocou em seu bolso e imediatamente ela pensava em algo ruim, ao mesmo tempo em que imaginava que nada mais poderia tornar o seu dia pior.

Ela estava errada, ainda havia espaço para mais dor. Era uma ligação do Hospital. O seu pai havia piorado, e estavam pedindo para que ela fosse rápido para lá, pois o tempo de vida dele estava se esgotando e ironicamente o dela também.

Leandro Tissiano

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