A Pequena Rachel – 4 Parte

olho

Pesadelo

“Rápido!”

“O que houve?”

“Precisamos estabilizá-la!” Os socorristas corriam contra o tempo enquanto a chuva fria e fina molhava o rosto de Rachel deitada sobre o acostamento da pista de rolamento.

Toda a área estava interditada. O asfalto molhado, dezenas de luzes vermelhas, azuis e brancas refletiam na fina película de água sobre o piche, reflexo dos diversos Giroflex que piscavam sobre o teto das viaturas de resgate e carros de Polícia.

Rachel estava entre as vítimas que haviam sido classificadas com o “Cartão Vermelho”, um procedimento feito durante a triagem inicial, envolvendo vítimas de acidente no trânsito. São aqueles que necessitam de algum tratamento médico imediato antes de serem transportadas rapidamente para o hospital.

Todo o local havia sido marcado com estes cartões, Vermelho, Amarelo, Verde e o temido Cartão Preto, os que foram à óbito.

As pontas dos dedos de Rachel estavam indo da cor roxa à cor azul, indicando dificuldades em sua respiração. Provavelmente ela havia sofrido uma obstrução respiratória devido a pancada súbita sofrida no acidente.

O ônibus em que viajava havia deslizado na pista enquanto chovia, atravessando o “Guard Rail” que separava os que vinham no sentido contrário, chocando-se com uma carreta carregada com grãos de soja.

Os dois motoristas e os primeiros oito passageiros do ônibus que estavam nas primeiras poltronas morreram no impacto.

Rachel havia comprado a sua passagem de última hora. O melhor que ela havia conseguido era ter encontrado uma poltrona ao lado do corredor, quase no final do ônibus. Ela sempre escolhia entre os dez primeiros assentos, e se o que algumas horas mais tarde poderia ser classificado como sorte ou força do destino dentro do pior que ocorreria depois, o importante era que Rachel ainda estava lutando por sua vida.

“Precisamos desobstruir as vias respiratórias.”

“Rápido! Aplique o broncodilatador na veia!”

“Coloque a máscara de oxigênio no rosto!”

Para todo acidente de grandes proporções as equipes precisam trabalhar em sincronia para que tudo saia como planejado. É importante a presença de uma Guarnição que siga os procedimentos corretos em casos de acidente. É o que os profissionais em resgate chamam de “Congelamento da Área”. O objetivo central é salvar o máximo número possível de vítimas, sendo extremamente importante a triagem, classificando as vítimas de acidente em graus de prioridade durante o atendimento.

As vítimas de um acidente, nos primeiros momentos evoluem para um melhor ou para um pior estado de saúde. Uma triagem para ser bem aplicada não requer mais que sessenta a noventa segundos por vítima segundo os profissionais envolvidos.

Com a chegada dos médicos do SIATE, socorristas e bombeiros repassam todo o histórico do atendimento à eles, para que continuem com a triagem e a organização das demais ações. Eles assumirão a Coordenação Médica da situação segundo os procedimentos exigidos em casos de acidente. Haverá um “Comandante da Área” que desenvolverá as atividades gerenciais e o “Coordenador Operacional” que desenvolverá as atividades de salvamento.

“Qual a pressão arterial?”

“Está caindo!”

Rachel precisa ser estabilizada rapidamente pois se faltar oxigênio suficiente em seus pulmões, coração e cérebro sofrerão sequelas.

Os minutos passam rapidamente. Os segundos entre a vida e a morte se transformam em um fino fio de seda que pode se romper a qualquer instante.

“Ela não está respirando!”

“Garota! Eu não sei quem você é, não sei para onde você estava indo ou quem você ia ver ou o que ia fazer, mas o que eu sei é que você não vai morrer nas minhas mãos, entendeu?” O médico disse alto estas palavras enquanto fazia uma massagem cardíaca tentando reanimá-la.

“Sem pulsação!”

“Olhe aqui menina! Você é muito jovem para morrer! Você precisa lutar! Não se entregue! Você vai ter uma linda família, lindos filhos, e ainda vai brincar com os seus netos! Você está me entendendo?”

Os médicos estão preparados para lidarem com situações de forte estresse emocional, mas quando ficam diante de crianças e jovens que podem ter as suas vidas interrompidas precocemente, ou quando passam por circunstâncias anteriores semelhantes, onde não puderam salvar vidas, sentem-se na obrigação de fazerem o seu melhor para que o resultado desta vez seja diferente. A vida de uma pessoa que ele nem conhece está em suas mãos, o nível de adrenalina é alto. Ele sente uma poderosa energia invadir o seu corpo. Neste instante ele foca toda a sua técnica e conhecimento na causa mais nobre, salvar a vida de uma pessoa.

E tudo que se passa em sua mente é aquela famosa frase dita por “Derek Shepherd” em um dia chuvoso e frio: “É um lindo dia para salvar vidas.”

Leandro Tissiano

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