Não desista agora!

Em circunstâncias da vida a única alternativa é se livrar do passado, ganhar impulso e seguir em frente. É se desvencilhar do que morreu, do que teve fim e lutar contra a estagnação.

Insistindo nos erros

Insistir em algo que não pode dar certo é reter prejudicialmente toda fonte de energia negativa, que caso não seja liberada, levará ao próprio aprisionamento do ser. O que era uma linda luz pairando sobre o alto de uma sacada tornou-se em escuridão e mofo dentro de um porão abandonado.

O passado é um excelente antídoto contra a inexperiência, mas para curar as suas feridas é preciso se libertar dele, caso contrário, pode se transformar em um terrível companheiro de cela, maltrapilho e violento. Sim, os medos, infortúnios, injúrias e expectativas não realizadas são males que quando não curados, adoecem e envelhecem a alma. Todo o equilíbrio, lucidez e a serenidade são tragados por este vampiro chamado “passado”.

Olhando com uma outra perspectiva

É bom quando se tem uma boa perspectiva em relação ao que se passou, desde que isto sirva de alguma lição no presente, trazendo um aperfeiçoamento emocional e por consequência, uma melhora física.

O passado é importante para cada ser humano pois carrega a história de vida da pessoa, mas nem sempre estas recordações são motivos para se ter alegria, mas podem ser a razão de um novo aprendizado e a oportunidade para uma nova reflexão, ajudando no amadurecimento e no desenvolvimento espiritual.

O mais difícil é perdoar pessoas que de alguma forma cruzaram para pior o nosso caminho. Talvez ainda existam questões que nunca poderão ser plenamente solucionadas. Talvez estas pessoas envolvidas já faleceram. Mas,  a penalização, o autoflagelo, a condenação e a culpa não podem ajudar, principalmente quando não agregam nenhum tipo de benefício próprio.

A reflexão sincera sobre os erros do passado é benéfica quando a pessoa, consciente disto, dá à ela a chance de se perdoar, seguir adiante e fazer diferente. Nada de martírio ou debruçar-se sobre os erros podem mudar a história do passado, pois não há mais volta.

O passado passou. É necessário desgarrar-se dele e voltar a viver. Culpar-se é se auto destruir, é implodir de fora para dentro.

Se há uma parcela de culpa devido as consequências pelas escolhas feitas, há sempre uma oportunidade de recomeçar, de voltar a acreditar, de fazer a diferença, de fazer acontecer.

Nem tudo é jogado fora

O adubo antes era alimento, mas nem por isto deixou de ser reaproveitado em uma nova fonte de energia. Criar uma atitude saudável de um passado doente também é possível.

Outras alternativas saudáveis poderão suprir as necessidades físicas e emocionais fazendo com que novas oportunidades surjam. Talvez por força das circunstâncias a pessoa aprenda a cuidar primeiro dela para depois poder cuidar de outras.

Uma mentalidade aberta e uma atitude humilde ajudam a reinventar-se, a se reerguer, a voltar a brilhar e emanar energia positiva e contagiante.

Egocentrismo x Humildade

Para ilustrar a forma diferente de se lidar com os mesmos problemas comuns à todas as pessoas, imagine que o ego esteja preso em um desfiladeiro. As paredes deste desfiladeiro não podem ser escaladas e suas rochas não podem ser cortadas ou cavadas. A única saída continua sendo para cima.

O ego olha para os lados e percebe que há um velho balão abandonado, que pertencia a outra pessoa e que por alguma razão havia sido deixado ali. Ao lado do balão há um pouco de combustível que foi deixado no local. Vendo aquilo, o ego enche o peito e orgulhosamente pensa: “Agora eu saio dessa!” Mas o balão está velho. Os rasgos precisam ser remendados e as madeiras que formam o cesto do balão, consertadas.

O ego faz a reforma e assim que termina ele sobe no balão. O balão começa a subir, mas numa determinada altura ele começa a cair novamente. Como está muito próximo das paredes do desfiladeiro, o ego se desespera, e improvisa rápido. Ele aumenta a potencia da chama, esquecendo-se do fato de haver pouco combustível. Em resultado disso, o combustível se queima muito rápido e o balão começa a despencar, chocando-se no chão. O ego morre na queda e de sua morte restaram apenas a revolta e a frustração.

Tempo depois, a humildade, por alguma razão, veio a cair neste mesmo desfiladeiro. Ela olhou em volta e encontrou o mesmo balão abandonado, todo espatifado no chão.

Diferente do ego, a humildade não foi afoita. Assim que viu aquele balão, ela não se engrandeceu, minimizando o perigo de vida que ela corria ali naquele desfiladeiro. Ela pensou calmamente, meditou e preparou-se com sabedoria para sair daquele lugar.

Ao invés da impetuosidade, a humildade pensou: “Este balão pode me ajudar a sair daqui.”

Fez os mesmos procedimentos, consertou as madeiras do cesto e remendou os rasgos, mas ainda faltava algo, o combustível.

Assim que terminou de consertar o balão, a humildade o protegeu em sua caverna. Diferente do ego que fez tudo rapidamente e sem planejamento, a humildade exerceu a paciência, qualidade esta que o ego não possui.

A humildade tomou tempo para conhecer melhor o local. Ela explorou aquele ambiente inóspito, além de sua caverna, foi quando numa dessas suas caminhadas acabou descobrindo um aterro. E deste aterro ela finalmente encontrou um tipo de betume, que poderia ser usado como combustível. Pronto, ela havia conseguido reunir tudo o que precisava para tentar sair daquele lugar e sobreviver.

Como haviam se passado alguns meses até achar um tipo de combustível, ela notou que em dias específicos, as correntes ascendentes eram mais fortes, o que poderia ser mais uma ajuda para fazer o balão subir.

Mais uma vez, pacientemente, ela esperou o dia certo, e deixou tudo pronto antes mesmo que este dia chegasse.

Ela enchia o balão para se certificar de que ele continuava intacto. Ela testava o betume para ver se ele ainda estava inflamável. Ela simulava o seu peso dentro do cesto para se certificar de que ele ainda estava resistente. Ela fez estes procedimentos em diversas ocasiões para que quando chegasse o dia, soubesse exatamente o que fazer. Ela se preparou bem.

Finalmente o grande dia. A humildade, como sempre, acordava cedo. Como já estava treinada e condicionada a se preparar para este dia, ela montou tudo corretamente.

Assim que as correntes ascendentes chegaram, ela subiu dentro do balão e soltou as cordas. O balão começou a flutuar, tudo dentro do esperado.

Mas a humildade se viu diante de um imprevisto. O balão começou a descer. A humildade notou que ainda havia muita coisa dentro do cesto, e começou a se desfazer delas, foi quando começou jogar todo o peso desnecessário para fora do cesto. Deixou no cesto apenas uma corda comprida e um pouco do betume.

Com isso, o balão começou a subir novamente e a humildade pode se salvar. Assim que ela pousou em segurança não teve pressa em sair correndo por ter se livrado daquele desfiladeiro. Carinhosamente ela agradeceu aquele balão. Enrolou-o com todo o cuidado. Colocou-o dentro do cesto com um pouco do piche que havia sobrado. Amarrou a corda no cesto e começou a baixá-lo.

Como a corda era mais curta que o desfiladeiro, ela precisou largar o balão. Mas, ela também usou a própria lona do balão de uma maneira que amortecesse a sua queda. Com um pouco de sorte o balão bateu no chão mas não o suficiente para sofrer danos irreversíveis.

A humildade fez esta boa ação porque sabia que assim como ela, uma outra pessoa que viesse a cair neste desfiladeiro, fosse por infelicidade, inocência, falta de malícia, ou despreparo na vida, poderia ser ajudada, desde que a pessoa tivesse uma atitude correta para com a sua queda. Ela sabia que assim como aquele balão a salvou, poderia salvar a vida de outras pessoas que estivessem na mesma circunstância.

Aprendendo a se erguer novamente

Esta ilustração pode ajudar a entender que o ego, ou o egocentrismo, prejudica o coração e que sentir-se confiante não significa ser arrogante e não calcular os riscos. Quando o ego estava em perigo, rapidamente jogou mais calor para dentro do balão.

Isto pode acontecer quando se precisa lidar com ofensas. Joga-se mais combustível em forma de intriga e descontentamento, fazendo com que não haja mais fôlego para prosseguir diante de um revés. Um ego inflamado passa a se achar sempre o dono da razão. Quando se sente ameaçado e machucado, a reação natural é o contra-ataque e não a busca pela solução do problema. Já sai peitando tudo e todos como se fosse a melhor alternativa. Com isso o ânimo acaba, a dor aumenta e o isolamento é uma questão de tempo.

Um ego inflamado pode se ferir, e atrás de uma queda vem uma outra queda, talvez uma queda que demore ainda mais tempo para se levantar.

Um pensamento baseado na humildade percebe o momento certo de se usar os contratempos da vida e se desfazer de pesos desnecessários, entre eles, um passado de dificuldades, ou de pessoas prejudiciais que podem estar travando o auto desenvolvimento. Um espírito humilde sabe quando precisa recomeçar pois aprende com os erros.

A humildade mantém o ego no seu devido lugar. O ego traz ansiedades, enquanto a humildade renova o espírito, amadurece a pessoa, e a faz compreender que a única forma de escapar das dificuldades é aprendendo a transformar estas dificuldades em novas oportunidades para se recomeçar.

Leandro Tissiano

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9 thoughts on “Não desista agora!

  1. Texto muito interessante e verdadeiro, nos leva a refletir sobre o que nossas ações nos causa. A humilde é a única forma de reparar os erros e entender que eles servem para nos melhorar como pessoas.

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  2. Obrigado. Quando eu o escrevi estava passando por isso, e na época eu ter me expressado nestas palavras me ajudou muito, porque eu lia e relia, lia e relia, até colocá-lo em prática. Acredito que seja uma experiência interessante para se repassar. Volte sempre. Abraço.

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