Por que todo político corrupto não quer largar o “poder”

O “poder” é tentador, e quem disser que não, é mentiroso. O “poder” gera para a pessoa uma posição favorável na sociedade, ou status.

Aquele que possui “poder”, onde ele entra, já é reconhecido. Outros, até mesmo aplaudidos. Sem dúvida o “poder” é tentador.

Agora, pense no tipo de “poder” que os nossos políticos usufruem. Pense que você, neste instante, esteja incorporando um cargo público em sua cidade.

Pense que você lutou muito para conquistar o seu espaço ao sol. Você então passou a exercer uma função pública. Agora as coisas “materiais” começaram a ficar mais abundantes em sua vida. Você não mora mais na periferia, mas passou a residir em um bairro melhor localizado na região central de sua cidade.

Nesta nova casa o piso é de porcelanato e granito. Você decorou a sua casa com gesso e móveis sob medida. Conseguiu construir até mesmo um ôfuro e uma pequena sauna.

Você então chama os seus novos amigos, pessoas influentes da política, conhecidos na região. Uma mesa com muita comida e bebida é preparada para recepcioná-los.

Ao entrarem, todos lhe abraçam, e lhe fazem dezenas de propostas e pedem a sua ajuda e o seu comprometimento.

Dizem que você está chegando agora e que para que você se dê bem, é necessário criar alianças com eles.

Você se intimida com o tom insinuante da voz, titubeia, mas para parecer não ser tão radical, diz que vai pensar nas propostas.

Eles querem o seu apoio, afinal, você também possui o “poder”, lembra-se? Embora você saiba que existem coisas não tão claras e honestas envolvidas, você pensa nos benefícios que estas parcerias vão gerar em sua vida.

Algum tempo se passa, e você alcançou outros objetivos materiais. Você conseguiu comprar um novo veículo, só que desta vez, não tem como passar despercebido onde você vai com o seu carro. Ele é lindo, esportivo, caro, um carro que desperta a curiosidade das mulheres que começam a surgir cada vez mais em seu caminho.

O tempo passou e você conseguiu conquistar algumas outras propriedades, entre elas, uma linda chácara no interior, onde você passa momentos agradáveis com a família e com seus amigos.

Todos lembram de você, você recebe muitos convites para festas. As pessoas querem você perto delas. Como o dinheiro passou a ser algo comum em sua vida, não custa nada ajudar um pouco outras pessoas, e assim você faz. Com isso mais pessoas lhe admiram, e muitos carregam o seu nome até mesmo estampado em suas camisas.

Você olha para as coisas que você possui e se sente muito feliz.  Pensa em outros objetivos e se prepara para alcançá-los.

Agora, você pensa em novas oportunidades de crescimento, e pensa que pode realizar coisas maiores. Com isso em mente você segue adiante em sua carreira política. O objetivo agora é a capital de seu estado.

Os seus aliados indicam outros aliados, desta vez, mais poderosos e influentes. Como você levou bem a sua carreira pública em sua cidade, e não foi acusado de desvio de comportamento, você segue confiante.

Você sabe que o seu salário público não lhe permitiria possuir tudo o que você conquistou. Mas você foi esperto, soube disfarçar e manter os seus patrimônios.

Quando você entrou no “poder” público, você passou a entender que a melhor estratégia seria usar o seu “poder” a seu favor, mesmo que os seus aliados, inicialmente não fossem amados por você, mas o seu “poder” agrupado com o “poder” deles, lhe deixaria muito mais forte e indestrutível. O seu “poder”, antes direcionado à ajudar a sua comunidade, não lhe gerava mais “poder” do que a alienação com os seus parceiros.

Você entendeu que dividir o seu poder com as pessoas que você ama, com os seus amigos e parentes lhe conferia mais poder, do que dividi-los na sociedade.

Então você se perguntou: “Eu abriria mão de tudo, sobrevivendo apenas de meu salário e lutando por questões que a população cobra de mim?

Eu abriria mão do “poder” e voltaria a morar na periferia, possuindo uma vida humilde, quietinho no meu cantinho, sem preocupações e ostentações?

Depois que você conheceu os benefícios que o “poder” lhe deu, você não quer perdê-los. Depois que você se transformou no centro das atenções, você não quer se transformar novamente naquele “desconhecido” e muito menos “esquecido” por todos.

Quando você era uma pessoa comum, você passava despercebido. Quando você conheceu o “poder”, muitas conquistas você alcançou, mesmo sabendo que os caminhos que você trilhou foram sinuosos.

Você hesita por um momento, mas uma força poderosa lhe impulsiona para frente, é a sede pelo “poder”. Ele lhe espera na capital de seu estado.

Nada pode lhe segurar, você se ajoelha e agradece. Levanta-se, faz um giro de 360° graus, inspira profundamente com os olhos fechados e sente uma sensação tentadora, é a satisfação de ter alcançado o “poder”.

Você abriria mão de tudo isso para ser honesto? Íntegro? Transparente e ético? Entende agora porque a maioria dos políticos mentem? Entende agora porque eles não abrem mão do “poder”?

Você abriria?

Leandro Tissiano

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